terça-feira, maio 21, 2002

Este blog acabou. Não peçam atualizações. Acabou.
Aqui.

terça-feira, novembro 27, 2001



WHERE YOU BEEN

Sim, eu sou uma grande enroladora. Toda a semana, digo que vou atualizar a maldita coluna e nada. Mas tudo bem, sabe por quê? Porque eu faço isso para mim e para você, querido leitor. É verdade, eu tenho leitores. Confesso que fiquei chocada quando recebi mais ou menos setecentos emails pedindo para saber da atualização da coluna e confesso também que perdi todos os emails em um acidente de trabalho. Aqueles que ainda têm fé devem escrever pela última vez para jazzie@terra.com.br com o subject “Eu! Eu quero!”. Recomendo que escrevam, já percebi que não vou atualizar todo o domingo coisíssima nenhuma e vai ser uma coluna esporádica. A não ser que me paguem, já disse. Mas pelo jeito não adianta dizer.

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SO FUCKING WHAT?

E lá vem o final do ano. O final do ano é legal, dá pra encher a cara de champagne de graça no reveillon e beijar várias pessoas que você sempre quis beijar quando os sinos e os relógios digitais e os celulares tocam à meia noite. Mas antes tem o Natal. E eu não gosto nem um pouco do Natal. Quem lê minha coluna há mais de um ano já sabe, porque eu disse isso no ano passado. No retrasado também. E isto significa que estou ficando repetitiva. Acho o clima de confraternização falso. Por que as pessoas que nunca se vêem durante o ano inteiro subitamente passam a se importar com as outras, comprar meias e gravatas e mandar telegramas? Isso é realmente se importar? Isso é realmente confraternizar ou é só um descargo de consciência por não ligar a mínima para a família durante o ano todo? Ok, ok. Talvez eu seja amarga demais. Talvez para você seja uma chance de ver aquelas pessoas amadas e queridas que você não vê o ano inteiro por falta de tempo ou de dinheiro ou dos dois ou de qualquer outra coisa. Certo. Fico feliz. Mas sinceramente, minha família, com exceção de alguns parentes mais próximos, é só um bando de desconhecidos com quem tenho alguns laços de sangue. Mal os conheço e não tenho nenhuma identificação com mais da metade deles. Por que então eu tenho que gostar deles? Não gosto. E não vou fingir que gosto porque não sinto nenhuma obrigação. Não os conheço e não tenho curiosidade de conhecer. E acho que o rebuliço ao redor do chester e das uvas na noite de Natal não passa de uma obrigação cristã. E todas as obrigações cristãs me dão asco, me fazem ver a fé cega das pessoas no grande livro de regras dos católicos. A bíblia é um bom livro, mas não é um manual e não é para ser interpretada ao pé da letra.

É pra confraternizar? É para estar com as pessoas que eu amo, demonstrar isso a elas e celebrar o nascimento de cristo? Então na noite de Natal quero estar com meus amigos. Quero que eles todos venham conhecer minha casa nova, minhas almofadas de bichinhos e minha mesa de bobina. Podemos comer uma pizza, encher a cara de espíritos até o sol nascer e depois dormir em meu super colchão ortopédico, todos juntos, abraçados e felizes. I wanna be high, I wanna be free and I’m gonna be easy like sunday morning. Nada de Papai Noel, pinheirinhos sofridos ou aves recheadas.

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REDAÇÃO

Nome: Clarah A. Gomes
Número: 06
Turma: 151

São Paulo, vinte e três de novembro de 2001.

Meu Dia de Hoje

No dia de hoje eu fiquei muito muito doente e não consegui levantar da cama que estava toda molhada de suor por causa da febre. Então eu fui tentar ligar para o Senhor Meu Chefe para avisar que eu estava muito muito doente e não ia conseguir levantar da cama que estava toda molhada de suor por causa da febre mas eu estava burra de sono e liguei pra loja e ninguém atendeu porque eram oito da manhã e a loja estava fechada e eu que devia abrir a loja dali a duas horas. Daí eu dormi o sono dos doentes e meu amigão do peito me sacudiu às três da tarde porque o Senhor Meu Chefe ligou desejando a minha morte e eu fui tentar levantar pra falar com o Senhor Meu Chefe no telefone mas não consegui. Daí meu amigão do peito me sacudiu de novo dizendo que o Senhor Meu Chefe estava perguntando a senha do outlook pra pegar os emails da loja e eu abri a boca pra falar mas não saiu nada. Daí eu tentei de novo e não saiu nada de novo. Daí eu achei que a minha voz devia estar com mau contato por causa do suor por causa da febre. Daí eu tive que escrever a senha em um flyer velho pro meu amigão do peito ditar pro Senhor Meu Chefe e dormi de novo o sono dos doentes e acordei só quando já estava de noite com tudo doendo e a cama ainda molhada de suor por causa da febre. Daí o meu amigão do peito foi buscar remédios pra mim. Daí eu tou em casa tomando remédios e tenho até voz de novo e vou trabalhar amanhã e prometo que vou me cuidar de agora em diante porque hoje foi um dia de merda.

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Bem que o Seu Aphex Twin podia lançar um single de natal. A capa seria ele vestido de papai noel com vários anõezinhos e renas com a cara dele. É só uma idéia.

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IT'S BETTER THAN BAD, IT'S GOOD!

Gostaria de lembrar o leitor desatento que a rapariga que vos escreve tem um weblog cor-de-rosa e fofo que é atualizado praticamente todos os dias.

http://brazileirapreta.blogspot.com.

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SORTEIO?

Pois é, eu pretendia sortear algumas coisinhas aqui mas aparentemente as gravadoras e editoras não confiam muito em mim. Humpf. Tudo bem, vamos fazer o seguinte: como sou uma pessoa limitada financeiramente, a “promoção” vale uma cópia de um dos discos citados abaixo. Tudo que você tem que fazer é mandar um email para jazzie@terra.com.br e dizer qual você acha que é a primeira grande banda do milênio e por quê. Vamos ver se funciona.

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TRILHA

The Germs - Germicide: Live at the Whisky, 1977



O pessoal de Los Angeles tem problemas com heroína, né? Frusciante, Bob Forrest, Scott Weiland, Robert Downey Jr... Esses pelo menos se recuperaram, ou pelo menos ainda estão vivos. Paul Beahm, também conhecido como Bobby Pyn ou Darby Crash, não teve tanta sorte (ou simplesmente mandou tudo à merda) e morreu em 1980, aos 22 anos, depois de encher a cara de heroína. Ele era vocalista do Germs, que eu sempre digo ser o Sex Pistols de Los Angeles, com a vantagem que tem gatas. Ou melhor, gata: a baixista Lorna Doom, que você, como é super antenado, conhece do Mate-me Por Favor. Tinha também o guitarrista Pat Smear, rapaz aquele que tocou no baixo no Nirvana e no Foo Fighters. Não sou a pessoa mais chegada em “performances” (assim como não sou chegada em “formadores de opinião”, “instalações astíticas” ou “eventos multiarte”), mas eles podiam. Paul ou Bobby ou Darby era daqueles que pulava na multidão, chutava pedestais, esfregava macarrão e hamburguer pelo corpo e tirava a roupa. Delírio. O som? Punk. Punk-rock. Puro, simples e muito barulhento. Bom pra caralho. Oh, sim: ninguém menos que Joan Jett produziu o primeiro álbum dos caras, (GI), de 79. A safra de 79 realmente rendeu.

Hi-Fives – Get Down!



Então esse CD apareceu aqui no balcão junto com Milkshakes e Animals. Moços limpinhos de terno e franjinha empunhando gibsons. Interessante. Ok, uma banda desconhecida dos anos 60. Como não consigo mesmo fugir dessas bandas de garagem, fui ouvir. Woooooow. Bom! Bom demais. Bom pra caralho. Total Kinks com Ramones. Letras quase colegiais como " this class is dismissed, there´ll be no looking back". Canções róque de amor. Poxa, que coisa. Como eu nunca tinha ouvido falar disso? Será que eles são precursores do modpunkrock? Deixa eu dar uma olhada no encarte pra ver se tem a discografia. Gostaríamos de agradecer as bandas que nos levaram em turnê: Greenday, The Queers, Men... Or Astromen? Heeein??? Pois é. Get Down!, gravado em 1998. E eu estava enganada. E eles nem soam tanto assim como Kinks. Os timbres de guitarra conseguem ser bem parecidos, mas não, não é tão básico. Também não é punk rock. Também não é pop rock. Tá, que diabos é afinal de contas? Bem, só consigo dizer uma coisa: É Hi-Fives e eu estou amando. O Ronaldo (meu semelhante) e o Farinha (meu chefe) que agradeçam aos céus. Achei algo para alternar com Strokes.

[roubado descaradamente do Next ++, que é o informativo da Bizarre, loja onde trabalho.]

Dinosaur Jr. – Where You Been



Então era 97 e eu e minha soulsister Mari Messias ouvíamos incessantemente Niandra La’Des and Usually Just A T-Shirt, do John Frusciante, e “a seis”, mais conhecida como "Get Me", do Dinosaur Jr. Bons tempos. Eu era magra, não dormia, não trabalhava, usava dogras e era muito feliz. O disco que contém “a seis” é de 93 e acho que foi um dos mais vendidos da carreira dos moços, reunidos em 83 pelo guitarrista e vocalista J.Mascis. Dinosaur Jr. está na minha lista de bandas injustiçadas. Ainda vou fazer um tratado sobre eles, comentando os oito discos e toda a carreira, mas agora não. É tarde, já tem ônibus passando e passarinhos cantando e o sol está nascendo e eu tenho que dormir. Boa noite.


quarta-feira, novembro 21, 2001


Devido a muitos esporros de leitores, esta coluna (heh-heh) informa que REALMENTE voltará à ativa. Neste domingo. Sério. Com novidades divertidas e sorteios ultra cool.